15 de agosto de 2010

Que delicia ser do bloco do eu sozinha.

Amo minha vida de solteira. Adoro carinho e, se posso receber de mais de uma pessoa, por que não variar?

Quem diria que eu ia me perder e me encontrar em você?
Quem diria que eu iria achar tão normal a dependência que sinto em relação a você?
Quem diria que ao te perder eu sentiria uma dor mortal e você nem se importaria?
São essas coisas que te digo que não da pra esconder, todo mundo percebe só de olhar a maneira como olho pra você. É não dá pra fingir que não me importo.

O jogo terminou, mas para mim ainda estamos na prorrogação, ainda faltam oito segundos para o final da partida.
Não quero pensar no que vai acontecer nem no que vou perder é o tempo quem vai nos dar a resposta.

Não sei como tem gente que tem raiva de ex-amor ex-paquera, ex-namorado, ex-noivo, ex-marido. Amores que acabam fazem parte da história de uma pessoa, tantos como os amores do momento, assim como os amores que virão. Se um dia amei, é porque vi naquela pessoa coisas que me encantaram me arrebataram, se encaixaram comigo e me ajudaram a ser quem sou hoje. Negar o valor de um ex-amor é negar uma parte de si mesma. Até os que foram um tremendo erro, até os que me abandonaram, até mesmo os que me fizeram sofrer horrores, gosto ainda deles, e os respeito como amores que foram. Não desejo o mal, não os esqueço não os diminuo, nem os apago. Os ex- me ensinam que é uma delícia olhar pra trás e ver que, dores à parte, somos capazes de superar um amor perdido e continuar com as boas lembranças, prontas para cometer novos e deliciosos erros. O movimento da vida é bom, inclusive no amor.

Não tenho raiva de nenhum deles, os meus ex-. Nem do que traiu, mas beijava tão bem. Nem do que me deixou, mas me fazia sentir tão amada. Nem do que me cansou, mas me ensinou tantas coisas. Nem do que me enganou, mas fazia meu coração disparar ao menor sinal da sua presença. Alguns eu tenho muita pena de ter perdido. Outros eu tenho muito arrependimento de ter deixado. Outros eu tenho alívio por terem sumido. E outros eu fico me perguntando o que foi mesmo que eu enxerguei pra um dia estar apaixonada. Mas nenhuma das minhas paixões, nenhum deles eu riscaria do meu caderninho de recordações. Prefiro lembrar, sempre. Lembrar de tudo, o máximo que conseguir pra não me deixar esquecida de mim mesma.

O prefixo ex-, que vem da preposição latina ex, indica que houve um “movimento para fora”; algo saiu de onde antes estava tão bem ajeitado. Algo era, mas deixou de ser. E por isso, usado sempre com hífen pra que as coisas fiquem bem separadas , o ex- vem indicar que coisas mudaram, mas ainda há uma palavrinha inteira lá, depois, pra mostrar o tamanho da importância que a pessoa teve.

Por outro lado, também não entendo como tem gente que vira melhor amiga de ex-amor. Não entendo como pode ser servida a água limpa e purificada da amizade no mesmo copo onde antes estava o embriagante e marcante vinho do amor. Sempre vai ficar um gosto forte no fundo, lembrando ao paladar que aquela água não é como as outras. E quanto mais vinho ficou no copo, pior a situação. Algumas vezes o copo é quebrado em mil caquinhos, e não dá pra recuperar mais nada. Outras raras vezes o copo é tão bem limpo que fica quase imperceptível, e aí dá até pra tentar uma amizade. Mas pra mim isso nunca deu certo. Ex-amor tem que ficar lá, no passado, guardado com o carinho que merece, mas sem ficar à mostra.

Gosto dos meus ex-amores, mas os quero longe de mim. Não gosto de cicatrizes que ainda doem.

E também não entendo como tem gente que fica em eternos vai-e-volta com ex-amores. Tenho amigas que teve três homens na vida, mas com eles somou mais de doze relacionamentos. Num eterno amar e desarmar, quem volta com ex- acaba perdendo a chance de reconstruir uma nova história, com aquele aroma da novidade. Por preguiça, por medo ou por falta de opção, não se deve voltar com ex-amor. A não ser que ele ainda seja amor… Sem prefixo nenhum. Amor total.

O tempo, implacável tempo, passa tão rápido e acaba fazendo a gente se esquecer de alguns ex-amores quase que completamente. na semana passada estava eu São Paulo na Livraria Cultura, entretida e encantada com as novidades do mercado literário, só e tranqüila, quando de repente alguém veio e tocou o meu ombro. Um dos namorados da adolescência, eu sabia, mas tudo dele demorou a vir – o nome, a ocasião, a duração, o começo, o porquê do envolvimento. Até que ele sorriu, e o sorriso me reencontrou.

Lembrei que ele ria gostoso, como menino, que o sorriso dele me iluminava e os olhos dele eram de um verde tão lindo que me fazia lembrar o mar mais bonito que eu já tinha visto na vida. Mais de quinze anos sem saber um do outro. Quanta notícia! No sofá da livraria, nos atualizamos um do outro: o que estudamos no que trabalhamos, ele com dois casamentos fracassados, eu com uns sonhos para ser irrealizado, você era tão diferente das outras, você era tão esperto e esforçado, nunca esqueci você, de vez em quando me lembro você tá tão bonita, você parece tão mais seguro, lembra aquele dia, lembra aquela noite, eu fazia tudo pra você, eu adorava o seu jeito de andar de bicicleta. E por que foi mesmo que a gente se separou? Eu era tão medrosa, eu era tão bobo. Mas agora não somos mais. Dá-me seu telefone… Ligo e… Quem sabe? A vida dá tantas voltas…

E foi então que no fundo dos olhos dele eu vi uma sombra muito grande que eu não queria que voltasse a me envolver, nunca mais. E deixei-o ir com o meu número de telefone… Errado. Porque a vida com um ex-amor, a gente já conhece mais ou menos como é. As pessoas não mudam tanto assim. Mas a vida com um novo amor… É um leque de possibilidades. Tudo pode acontecer.
Pelo menos até ele virar ex-.

Hoje e o dia do solteiro.

Aliás, homenagem mais que justa afinal esta vida de restaurantes badalados, barzinhos é tudo de bom ainda mais não tendo ninguém para pegar no pé, pode sair com os amigos e paquera muito nada de namorado nem ex. sem fala que o coração do solteiro está sempre aberto a novas aventuras e sobressaltos inevitáveis.

É o maior exemplo de liberdade deste estado civil. E glorifica esta condição argumentando que foi o escolhido por Jesus Cristo, Sherlock Holmes, Nietsche, Voltaire, Zorro, Batman, Pato Donald, muitos imperadores romanos e quase todos os papas. Todos solteiros.
Isso sem falar que ao fechar a porta e ficar sozinha pode ser uma das aventuras espantosa...

Eu só tenho compromisso comigo mesmo..
Tem outra coisa melhor do que se do bloco do eu sozinha?
Beijos amores!!!

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